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Todas as possibilidades

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 23.07.07

Phenomenon mostra-nos as possibilidades humanas: inteligência, criatividade, generosidade, lealdade, amizade, amor genuíno, apoio mútuo. E também nos mostra as possibilidades das comunidades.

É isso que George tenta explicar à comunidade, aos amigos. A mensagem passa com dificuldade. As pessoas querem sempre respostas do exterior, instantâneas, prontas a consumir. E as perguntas, as questões que colocam são sempre pessoais e superficiais. Só depois de um abanão de alguém como o “Doc” ou da lealdade de alguém como a Dorothy ou o mecânico mexicano, é que descobrem com muita dificuldade as questões essenciais. Que as possibilidades, todas as possibilidades estão em si próprios.

A mensagem de George é também a da colaboração, “a partnership”, em que tudo está ligado a tudo, é indivizível, da mesma matéria, de energia, como um enorme organismo vivo.

Phenomenon mostra-nos também que as crianças apreendem a verdade e querem a verdade. Confiam no George instantanea e naturalmente. A cena das flores silvestres de todas as cores, que George vai apanhar no campo! Falta-lhe o azul. A menina dá-lhe o laço do cabelo e faz um laço a segurar o ramo. As crianças confiam nele antes da mãe porque ela já foi traída, negligenciada,  abandonada. O olhar das crianças ainda não foi contaminado pela sua história.

E é um abanão à mediocridade em que se cai, ao egocentrismo, ao controle, ao poder, à falsa segurança, ao cepticismo camuflado de científico. E também um abanão às crenças sem qualquer apoio científico, às histórias, aos boatos, ao espectáculo.

Phenomenon é a possibilidade. O que idealizamos ser possível para nós e para a comunidade humana, para o planeta.

 

 

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publicado às 15:34

A trágica poesia dos "misfits"

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 17.07.07

 

Down in the Valley de David Jacobson com o Edward Norton surgiu-nos apenas em DVD.

 

A metáfora deste espaço-tempo estranho em que as pessoas se movimentam de forma vazia de sentido, em que as pessoas "dificilmente se assemelham a seres humanos".

 

Já não há um espaço-tempo para viver, realmente. Mesmo com a dureza de outros tempos. Já não há um espaço-tempo de alguma liberdade humana. É quase claustrofóbico. Casas amontoadas no vale e pelas colinas, a construção desenfreada, vidas em função do consumo, de objectos, experiências, sensações, a total distracção de si próprios e dos próximos. O dinheiro como "a fonte de toda a confusão" como diz o cowboy numa das cenas cortadas.

 

A cena mais poética e filosófica do filme é, para mim, a do ensaio do filme de época, sobretudo a cena também cortada: "Pode-se viver a fazer isto?... Eu até tinha qualidades..." Fora do tempo-espaço, nesse outro tempo-espaço possível. Com a rapariga e o irmão mais novo dela, uma família.

 

O cavalo, as colinas ainda livres... Há qualquer coisa de pioneiro ou de índio neste espaço-tempo imaginário. A fractura na alma americana que ainda está aberta, na trágica poesia dos misfits. E no mundo adolescente onde ainda é possível o sonho límpido e honesto. Mas cada vez mais breve e fugaz.

 

 

 

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publicado às 17:35

O fascínio das metáforas

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 14.07.07

 

Rio sem regresso, filme de Otto Preminger com a Marilyn Monroe e o Robert Mitchum. O homem, a mulher e o rapazinho, num rio - fabulosa metáfora da vida! Às vezes calmo, às vezes caudaloso.

 

E nessas margens, breves intervalos filosóficos em que as personagens se revelam: sonhos, conflitos, escolhas. A mulher sonha com um lugar onde as pessoas sejam tratadas como seres humanos. O homem responde: That's in Heaven!

 

Sempre que eu sonho com o país ideal, com os protagonistas ideais, com um rio em que eu possa navegar em vez de andar a remar ao contrário, lembro-me do Robert Mitchum: That's in Heaven!

 

Inicio aqui este lugar entre o céu e a terra, talvez numa nuvem muito branca, com as metáforas que me fascinam! Até porque para revelar o que se enevoa e esconde - e este país é perito em nevoeiros - as metáforas são certinhas e seguras.

 

Este rio sem regresso ainda tem muito para nos sussurrar, com aquela voz da Marilyn... There is a river called the river of no return... Ainda há descobertas nesse rio... e a chegada... Gostava de vos falar ainda dessa chegada a um outro lugar.

 

Por enquanto, tento sacudir este nevoeiro que me cerca. E ver o nevoeiro já não é mau! Há quem nem se aperceba que navegamos sem rumo, sem bússula e sem comandante! E o barco está um pouco maltratado, a bem dizer! Umas boas esfregadelas e umas boas enceradelas não lhe faziam mal nenhum!

 

 

 

E uma surpresa de um outro lugar! Com a Marilyn e o Robert Mitchum!

 

 

 

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publicado às 14:19


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